Junto e misturado: comida doce e salgada
Pouca gente gosta de misturar doce com salgado da comida. Quando eu era mais nova, também não curtia muito essa ideia, não. Em churrascos, sempre era fresca o suficiente para catar todos os pedacinhos de maçã da maionese de batata e todas as rodelas de banana da farofa. Ficava xingando as pessoas que colocavam as frutas onde não deviam. Para mim, fruta era no máximo sobremesa, e, mesmo assim, uma sobremesa sem graça – como competir com tortas e sorvetes? 
Um belo dia minha mãe fez arroz à grega, que leva passas, e a preguiça falou mais alto que a frescura. Comi tudo junto mesmo e percebi que era gostoso. Depois desse dia, passei a experimentar tudo que levasse frutas na comida: sanduíche de pernil com abacaxi (delícia!), queijo quente com banana, empada de maçã com canela e até sushi com recheio de morango – e ainda mergulhei no shoyu!
A combinação pode ser comum na culinária de outros países – México, Japão, China, Alemanha e Estados Unidos misturam bastante –, mas aqui no Brasil o salgado domina o prato principal e o doce se resume à sobremesa, assim, cada um no seu quadrado. Muitos restaurantes vêm trazendo a novidade da mistura de doce e salgado no cardápio, influenciados principalmente pela cultura gastronômica doschefs que os comandam.
O sucesso desses pratos não se dá apenas pelo exotismo da mistura: a combinação também quebra o gosto forte do doce e do salgado e suaviza o sabor. Além disso, a fruta na comida acaba por saciar a necessidade de consumir doce que sentimos depois de comer um prato salgado. Por outro lado, promove um equilíbrio entre picante, salgado, azedo e doce. Então, esqueça aquela sobremesa supercalórica que você estava pensando em devorar.
Inspirada nisso, resolvi preparar um prato que combine doce e salgado num jantar muito especial que fiz esta semana. Tinha que ser algo leve, para não empanturrar e ter má digestão na hora de dormir. Escolhi fazer o frango grelhado com molho de manga que achei no livro Receitas saudáveis e quase sem gordura. Facinho e rápido, você pode servi-lo com uma saladinha verde. “As mangas doces incrementadas com pimenta formam um molho sedutor para filés de frango magros, cozidos em minutos”, era o que dizia a descrição da receita no livro. Sedutor, é? Animou, hein! 
Para fazer o molho, descasque 2 mangas grandes e suculentas sobre uma tigela para aproveitar todo o suco. Corte a polpa em cubinhos e coloque lá também. Junte o suco de um limão. Adicione umapimenta-verde sem sementes e bem picadinha, 1 colheres (sopa) de coentro fresco também bem picado (é o que manda a receita, mas eu não coloquei porque, como vocês bem sabem, eu odeio coentro) e ½ colher (sopa) de gengibre ralado. Misture tudo e tempere com sal e pimenta-do-reino. Tampe a tigela e leve à geladeira por uma hora mais ou menos para apurar o sabor.
Enquanto isso, coloque um filé de frango entre dos pedaços de filme plástico e achate-o levemente com um rolo de macarrão ou um martelo de cozinha. Libere todo o seu estresse no franguinho! 
Quando os filés (a receita pede 4, esqueci de falar) já estiverem bem amassados, pincele um pouco de óleo vegetal numa frigideira e leve-a ao fogo alto. Grelhe cada lado do frango por mais ou menos 4 minutos. Você vai saber que está no ponto quando espetar a carne e o caldo sair claro. Sirva quente com o molho de manga gelado ou em temperatura ambiente.
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